Sim, a Bíblia é digna de crédito. Ao estudar a
Bíblia com cuidado, verifica-se que ela não contém erros grosseiros como os
encontrados em outros escritos antigos. Embora a Bíblia contenha muitas
descrições não científicas, nenhum trecho da Bíblia precisa ser revisto em
função de resultados conclusivos de pesquisas científicas.
A Bíblia foi escrita num período de cerca de 1500
anos. Estiveram envolvidos aproximadamente 45 escritores de diferentes origens
e ocupações. Entre eles estão os intelectuais Moisés e Paulo, o comandante
militar Josué, o ministro de estado Daniel, os reis Davi e Salomão, o pastor de
ovelhas Amós, o pescador Pedro, o médico Lucas. Muitas vezes os textos da
Bíblia foram escritos em lugares incomuns, como no deserto, na prisão, no
palácio, em viagens ou no exílio. Sua redação se deu nas mais diversas
situações emocionais como alegria e amor, medo e preocupação, necessidade e
desespero. Apesar das 60 gerações que passaram durante sua composição e apesar
da grande diversidade de escritores, a Bíblia expõe uma temática uniforme e
coordenada, tratando de centenas de tópicos com harmonia e continuidade
notáveis.
A Bíblia é dividida em duas partes: o Antigo
Testamento (AT), com escritos de antes da era cristã, e o Novo Testamento (NT),
com escritos da era cristã. Um catálogo ou lista dos escritos incluídos na
Bíblia é chamado de cânon bíblico. Os cânones usados pelos cristãos
católicos, protestantes e ortodoxos têm diferenças no AT. Não há diferenças na
composição do NT.
As listas mais antigas de textos do AT correspondem
ao Tanach, o principal conjunto de livros sagrados do judaísmo. Este é o
cânon do AT adotado nas Bíblias protestantes. Textos adicionais, chamados de
deuterocanônicos, existem no AT das Bíblias católicas e ortodoxas. Estes textos
provém da Septuaginta, uma tradução de livros judaicos para o grego, muito
usada desde antes da era cristã. As diferenças no cânon do AT podem ser
entendidas como secundárias, pois para reformadores protestantes como Lutero,
os textos deuterocanônicos "não são considerados iguais às Sagradas
Escrituras, mas mesmo assim de leitura boa e proveitosa."
Achados arqueológicos (como por exemplo os escritos
das cavernas de Qumran) têm comprovado a qualidade dos manuscritos disponíveis
para os textos do AT. E também com relação ao seu conteúdo, o arqueólogo e
orientalista William Foxwell Albright (1891-1971) resume: "Não há como
negar que a arqueologia confirma a substancial credibilidade histórica da
tradição do Antigo Testamento."
A referência mais antiga ao cânon do NT é conhecida
como o Cânon de Muratori e data do século II. Relaciona os quatro evangelhos
(Mateus, Marcos, Lucas e João), as cartas de Paulo, Judas, as duas primeiras
cartas de João e o Apocalipse. Não inclui as epístolas de Tiago, as de Pedro e
aquela aos Hebreus.
Controvérsias existiram com relação à inclusão no cânon de
Hebreus, Tiago, Judas, Apocalipse, a segunda e terceira cartas de João e a
segunda de Pedro. Da mesma forma, outros escritos já estiveram no cânon do NT,
e depois foram rejeitados. Dentre estes, os principais foram a primeira carta
de Clemente aos Coríntios (do século I) e o Pastor de Hermas (do século II). Há
documentos históricos, como a História da Igreja, escrita por Eusébio de
Cesaréia (cerca de 260-340), que relatam os argumentos usados para inclusão ou
não dos diversos textos no cânon bíblico.
A lista completa dos livros do NT aparece pela
primeira vez numa epístola de Atanásio de Alexandria para a Páscoa de 367 d.C.
Esta mesma lista foi confirmada posteriormente nos concílios regionais Hipona I
(393 d.C) e Cartago III (397 d.C) e IV (417 d.C). Um documento conhecido como
Decreto Gelasiano (496 d.C.) também confirma este cânon para o NT.
A autenticidade do NT, em especial a dos
evangelhos, é significativa para a fé cristã, que neles tem fundamento. A
evidência histórica e testemunhos arquelógicos mostram a proximidade entre a
vida de Jesus e a redação dos evangelhos. A relevância desta proximidade é
ressaltada no próprio NT, por exemplo por Pedro, que escreve em sua segunda
carta: "Nós não estávamos contando coisas inventadas quando anunciamos a
vocês a vinda poderosa do nosso Senhor Jesus Cristo, pois com os nossos
próprios olhos nós vimos a sua grandeza." (1:16)
Dispõe-se hoje de mais de 5200 cópias manuscritas
com textos do original grego do NT. Alguns são papiros (os mais antigos
testemunhos do texto do NT), outros são códices unciais (escritos em
caracteres maiúsculos sobre pergaminho), códices minúsculos (escritos
mais tarde em caracteres minúsculos) ou lecionários (cópias para uso
litúrgico). Há mais de 80 papiros, 260 códices maiúsculos, 2700 códices
minúsculos e 2100 lecionários distribuídos por bibliotecas de vários países.
As pequenas variações encontradas nestes mais de
cinco mil manuscritos são gramaticais ou sintáticas, sem implicações relevantes
de conteúdo. Analisando e comparando os manuscritos, os especialistas são
capazes de reconstruir a face autêntica original do Novo Testamento que hoje
usamos. A documentação existente para esta reconstrução é excepcionalmente
privilegiada. Isto fica claro ao confrontar as testemunhas do texto original do
NT com as dos textos clássicos latinos e gregos. As primeiras cópias das obras
de escritores clássicos (Virgílio, Horácio, Platão, Eurípedes, etc.)
consideradas autênticas e plenamente reconhecidas são posteriores às primeiras
cópias dos evangelhos.
A autenticidade do NT é também confirmada por
historiadores antigos. Eusébio de Cesareia, por exemplo, cita Pápias († 130)
bispo de Hierápolis, nascido no primeiro século, isto é, no tempo em que João
ainda vivia. Pápias disse sobre o evangelho de Mateus: "Mateus, por sua
parte, pôs em ordem os dizeres [de Jesus] na língua hebraica, e cada um depois
os traduziu como pode." (História da Igreja III, 39:16).
Uma outra citação de Pápias na obra de Eusébio
refere-se ao evangelho de Marcos: "Marcos, tendo se tornado intérprete de
Pedro, anotou exatamente, embora não em ordem, tudo o que recordou das palavras
e ações de Cristo. Pois não ouviu o Senhor nem o seguiu, mas depois, como eu já
disse, seguiu a Pedro, que adaptava seu ensino às necessidades dos ouvintes,
sem a intenção de dar um relato conectado dos discursos do Senhor. Assim,
Marcos não cometeu engano quando escreveu as coisas como as recordou, pois era
cuidadoso em nada omitir do que tinha ouvido, e nada dizer de falso." (História
da Igreja III, 39:15).
Outro testemunho foi dado por Irineu († 200). Ele
foi discípulo de Policarpo, bispo de Esmirna, que por sua vez foi discípulo de
João. Sobre a origem dos evangelhos Irineu escreve: "Mateus, igualmente,
compôs um evangelho entre os hebreus no seu próprio dialeto, enquanto Pedro e
Paulo pregavam em Roma, e lançavam os fundamentos da igreja. Após sua partida,
Marcos, o discípulo e intérprete de Pedro, igualmente entregou-nos por escrito
o que tinha sido pregado por Pedro. Lucas, o companheiro de Paulo, também
anotou num livro o evangelho pregado por ele. Mais tarde, João, discípulo do
Senhor, o mesmo que reclinou sobre o seu peito, publicou também um evangelho
quando de sua estadia em Éfeso." (Contra as heresias I, 1).
Muitos autores discutem a credibilidade do texto
bíblico com detalhe e objetividade. Para saber mais, consulte:
- J. McDowell - Novas evidências que demandam um veredito. Volumes 1 e 2, Editora Hagnos, 2013. (clique aqui para localizar este livro no site da editora)
- J.A. Thompson - A Bíblia e a arqueologia, Editora Vida Cristã, 2004.
- F.F. Bruce - Merece confiança o Novo Testamento?, Editora Vida Nova, 2004. (clique aqui para localizar este livro no site da Editora Vida Nova)
- G. Habermas - "Why I believe the New Testament is historically reliable", In: N.L. Geisler e P.K. Hoffman (Eds.), Why I am a Christian: leading thinkers explain why they believe, Baker Books, 2001.
- G. Habermas - "Recent perspectives on the reliability of the gospels", Christian Research Journal, 28(1), 2005.
- G.L. Archer Jr. - Panorama do Antigo Testamento, nova edição
revisada e ampliada do clássico Merece confiança o Antigo Testamento?,
Editora Vida Nova, 2012. (clique aqui para localizar este livro no site da
Editora Vida Nova)

Fonte: Fé e Ciência
Imagem Google

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