Não goste, ame! Pois somente o AMOR é capaz de construir o mundo. (Antonio Luiz Macêdo)..

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Papa aos bispos italianos: a tríplice pertença ao Senhor, à Igreja, ao Reino



Cidade do Vaticano (RV) – Na tarde desta segunda-feira (16), no Vaticano, o Papa Francisco participou da abertura da 69ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana. Os bispos, reunidos na Sala do Sínodo, escutaram com atenção ao pronunciamento do Papa,  pelo terceiro ano inaugurando o evento como Bispo de Roma e Primaz da Itália.

No seu discurso, depois de agradecer a presença de todos e notar novos bispos na sua composição, pouco menos de 40, pronunciou seu discurso sobre a renovação do clero a partir da formação permanente.

“Nesta tarde, não quero lhes oferecer uma reflexão sistemática sobre a figura do sacerdote. Tentemos, ao contrário, inverter a perspectiva e ouvir atentamente, em contemplação. Aproximando-nos, quase que em ponta de pé, a um dos tantos párocos que passam pelas nossas comunidades; deixemos que o rosto de um deles passe perante os olhos do nosso coração e perguntemo-nos com simplicidade: o que faz a sua vida ser saborosa? Por quem e para que entrega o seu serviço? Qual é a finalidade do seu doar-se?
Iniciando com questionamentos sobre a figura do presbítero, Papa Francisco começou a delinear suas observações sobre possíveis respostas que “ajudarão a individuar também as propostas de formação pelas quais investir com coragem”.

Pertença ao Senhor
O que, então, dá sabor à vida do 'nosso' presbítero? O contexto cultural é muito diverso daquele em que ele deu os primeiros passos no ministério. Inclusive na Itália, muitas tradições, hábitos e visões da vida foram afetados por uma profunda mudança de época.”

Apesar de vivermos atualmente um “tempo amargo e acusatório, devemos também sentir a sua dureza: no nosso ministério, quantas pessoas encontramos que estão em ânsia pela falta de referências para seguir! Quantas relações feridas!”, disse o Santo Padre. “Sobre esse contexto, a vida do nosso presbítero se torna eloquente, porque diversa, alternativa”. Precisa aceitar, assumir responsabilidades, sentir-se atuante e encarregado do seu destino.

“Sabe que o Amor é tudo. Não procura garantias terrenas ou títulos honoríficos que levam a confiar no homem; no ministério não questiona nada que vá além da real necessidade, nem está preocupado de ligar a si pessoas que lhe foram confiadas. O seu estilo de vida simples e essencial, sempre disponível, apresenta-o plausível aos olhos das pessoas e o aproxima aos humildes, numa caridade pastoral que os torna livres e solidários. Servo da vida, caminha com o coração e o passo dos pobres; faz-se rico do encontro com eles. É um homem de paz e de reconciliação, um sinal e um instrumento da ternura de Deus, atento a difundir o bem com a mesma paixão com a qual os outros curam os seus interesses.”

O segredo do presbítero “está em conformidade àquela de Jesus Cristo, verdade definitiva da sua vida. É a relação com Ele que o protege, fazendo-o alheio à mundanidade espiritual que corrompe, como também a qualquer compromisso e mesquinhez”.

Pertença à Igreja
E dando sequência às questões iniciais, o Santo Padre continuou:

Para quem o nosso presbítero entrega o serviço? A pergunta, talvez, precisa ser esclarecida. De fato, antes mesmo de nos questionarmos sobre os destinatários do seu serviço, devemos reconhecer que o presbítero é assim, na medida em que se sente atuante da Igreja, de uma comunidade concreta da qual compartilha o caminho. O povo fiel de Deus permanece sendo o seio do qual nasceu, a família na qual é envolvida, a casa para onde é enviado”.

Nesse momento do seu pronunciamento, Papa Francisco fez referência ao brasileiro Dom Hélder Câmara ao falar sobre a “respiração que libera de uma auto-referencialidade que isola e aprisiona”.

‘Quando o teu pequeno barco começará a colocar raízes na imobilidade do cais’, lembrava Dom Hélder Câmara, ‘vai para o fundo!’. Parte! E, acima de tudo, não porque tem uma missão para cumprir, mas porque estruturalmente você é um missionário. Aquele que vive no Evangelho, entra dessa forma num compartilhamento virtuoso: o pastor é convertido e confirmado da fé simples do povo santo de Deus, com o qual trabalha e que no coração vive. Essa pertença é o sal da vida do presbítero. Nesse tempo pobre de amizade social, a nossa primeira tarefa é aquela de construir comunidade; a atitude à relação é, então, um critério decisivo de discernimento vocacional.”

Do mesmo modo, observa Francisco, “para um sacerdote é vital se encontrar no cenáculo do presbitério”. Uma experiência que pode liberar “dos narcisismos e dos ciúmes clericais; faz crescer a estima, o apoio e a benevolência recíproca”.

Pertença ao Reino
“Enfim, nos questionamos qual fosse a finalidade do doar-se do nosso presbítero. Quanta tristeza fazem aqueles que, na vida, estão sempre um pouco pela metade. Calculam, ponderam, não arriscam nada por medo de se perder... São os mais infelizes! O nosso presbítero, ao contrário, com os seus limites, é um que se aventura até o final: nas condições concretas da vida e do ministério que lhe foram colocadas, ele se oferece com gratuidade, com humildade e alegria. Inclusive quando ninguém parece perceber. Inclusive quando, por intuição, humanamente percebe que talvez ninguém vai agradecê-lo suficientemente do seu doar-se sem medidas.”

O Papa Francisco o caracteriza como “o homem da Páscoa, do olhar direcionado ao Reino e para onde se sente que a história humana caminha, apesar dos atrasos, das obscuridades e contradições”.

“Está, então, delineada, queridos irmãos, a tríplice pertença que nos constitui: pertença ao Senhor, à Igreja, ao Reino. Esse tesouro em vasos de Creta precisa ser protegido e promovido! Compreendam fortemente essa responsabilidade, assumam com paciência e disponibilidade de tempo, de mãos e de coração.”

Fonte e imagem: News.va

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