Cidade do Vaticano (RV) – A esperança na misericórdia de Deus abre os horizontes e nos faz livres, enquanto a rigidez clerical fecha corações e faz tanto mal: este é um dos trechos da homilia do Papa na manhã desta segunda-feira (14/12), na Casa Santa Marta.
A primeira Leitura do dia, extraída do Livro dos
Números, fala de Balaão, um profeta contratado por um rei para maldizer Israel.
Balaão – observa o Papa – “tinha seus defeitos, até mesmo pecados. Porque todos
nós temos pecados, todos. Todos somos pecadores. Mas não se assustem – exorta o
Pontífice – Deus é maior que nossos pecados”.
“No seu caminho, Balaão encontrou o anjo do Senhor
e transforma seu coração”. “Não muda de partido”, mas “passa do erro à verdade
e diz aquilo que vê”: o Povo de Deus vive nas tendas em meio ao deserto e ele,
“além do deserto, vê a fecundidade, a beleza, a vitória”. Abriu o coração,
“converteu-se”, e “vê ao longe, vê a verdade”, porque “com boa vontade sempre
se vê a verdade”. “É uma verdade que dá esperança”.
“A esperança – afirma o Papa – é esta virtude
cristã que nós temos como um grande dom do Senhor e que nos faz ver ao longe,
além dos problemas, das dores, das dificuldades, além os nossos pecados”. Nos
faz “ver a beleza de Deus”:
Esperança
“Quando estou com uma pessoa que há esta virtude da
esperança e está passando por um momento difícil da sua vida – uma doença, uma
preocupação com um filho ou uma filha ou alguém da família, seja o que for –
mas há esta virtude, em meio a dor há um olhar penetrante, há a liberdade de
enxergar além, sempre além. E esta é a esperança. E esta é a profecia que a
Igreja nos doa hoje: é preciso mulheres e homens de esperança, também em meio
aos problemas. A esperança abre horizontes, a esperança é livre, não é escrava,
sempre encontra lugar para dar um jeito”.
No Evangelho, existem os chefes dos sacerdotes que
perguntam a Jesus com qual autoridade age: “Não têm horizontes” – diz o Papa –
são “homens fechados nos seus cálculos”, “escravos da própria rigidez”. E os
cálculos humanos “fecham o coração, encerram a liberdade”, enquanto a
“esperança nos deixa mais leves”.
Verdadeira liberdade
“Quanto é bela a liberdade, a magnanimidade, a esperança
de um homem e de uma mulher de Igreja. Ao invés, quanto é feia e quanto faz mal
a rigidez de uma mulher e de um homem de Igreja, a rigidez clerical, que não
tem esperança. Neste Ano da Misericórdia,
existem esses dois caminhos: quem tem esperança na misericórdia de Deus e sabe
que Deus é Pai; que Deus perdoa sempre, e tudo; que além do deserto há o abraço
do Pai, o perdão. E, também, existem os que se refugiam na própria escravidão,
na própria rigidez, e não sabem nada da misericórdia de Deus. Estes eram
doutores, tinham estudado, mas a ciência deles não os salvou”.
O Papa conclui a homilia contando um fato que
ocorreu em 1992 em Buenos Aires, durante uma Missa pelos doentes. Estava
confessando há muitas horas e estava a ponto de se levantar quando chegou uma
mulher muito idosa, com cerca de 80 anos, “com os olhos que viam além, esses
olhos repletos de esperança”:
“E eu disse: “Avó, a senhora quer se confessar?”
Porque eu estava indo embora. “Sim”. “Mas a senhora não tem pecados”. E ela me
disse: “Padre, todos nós os temos”. “Mas, talvez o Senhor não os perdoa?” “Deus
perdoa tudo!”, me disse. Deus perdoa tudo. “E como a senhora sabe disso?”,
perguntei. “Porque se Deus não perdoasse tudo, o mundo não existiria”. Diante
dessas duas pessoas – o livre, a esperança, aquele que oferece a
misericórdia de Deus, e o fechado, legalista, o egoísta, o escravo da própria
rigidez – recordemos dessa lição que esta idosa de 80 anos – ela era portuguesa
– me deu: Deus perdoa tudo, só espera que você se aproxime Dele”.
Fonte e imagem: News va


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